A recusa do corpo sexuado na anorexia
Neste artigo, servindo-nos do aporte metodológico de uma revisão bibliográfica, propomos investigar a hipótese de que a anorexia, a qual se desencadeia em resposta à puberdade, pode ser concebida como uma recusa do corpo sexuado — aqui, como recusa do corpo feminino —, sobretudo daquilo que nesse corpo se correlaciona à emergência de um novo gozo sexual.
A passagem pelo cruzamento da puberdade implica para o adolescente também uma paradoxal iniciação sexual, que não é isenta de impasses. Assim, a anorexia surgiria como uma resposta do sujeito frente a uma dificuldade ou, mesmo, uma impossibilidade de adentrar a lógica da sexuação e assumir um corpo sexuado.
Com o intuito de enriquecer a nossa discussão, optamos por trazer ainda alguns fragmentos do filme Tem um vidro sob minha pele (2014), da diretora Moara Passoni. Sem qualquer pretensão de esgotar uma análise desse filme, apostamos que a articulação entre os recursos de imagem e de discurso ali empreendida pode nos ajudar a abordar pontos específicos condizentes à problemática e a extrair consequências para uma clínica psicanalítica com a anorexia.