LAPSI — Laboratório de Clínica Psicanalítica

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Para além do paradigma histérico da anorexia: a ordem de ferro do supereu materno

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Camila Ferreira Sales, Cristina Moreira Marcos

Interessa-nos interrogar a afinidade estrutural entre anorexia e feminino a partir de um caso para além do paradigma histérico da anorexia. Tal afinidade frequentemente é abordada a partir de sua declinação histérica. Podemos dizer que, dentro desse paradigma, esta relação concerne sobretudo à essência do discurso amoroso: é por amor, para ser a única, que a anoréxica se consome na recusa do alimento. Por meio da recusa daquilo que vem do Outro no registro do ter, ela busca criar uma posição particular no Outro. Está disposta a morrer de fome por amor. Sabemos, contudo, que a busca do amor pode se converter em seu contrário, em uma recusa do Outro. É o que encontramos, por exemplo, nos casos de anorexia não histérica. A que responde a anorexia nos casos em que há uma foraclusão da significação fálica e que, portanto, não são redutíveis à manobra histérica de defesa do desejo? Como situar aí a afinidade entre anorexia e feminino? Tais questões serão colocadas a partir de um caso clínico no qual verificamos uma submissão a uma ordem de ferro do supereu e uma não assunção de uma posição sexuada na dialética amorosa.

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