Tipo de publicação: Artigos

Retratos de família: as diversas faces da maternidade na literatura e no cinema

Para a psicanálise, a maternidade ultrapassa a biologia e a procriação. O desejo de ter um filho adquire diferentes sentidos para diferentes mulheres. A criança não completa integralmente a mãe e há que se perguntar que lugar a criança ocupa no inconsciente materno. Interessa-nos investigar as diferentes posições da mãe em relação à criança e os impasses próprios a cada uma nesta relação. Escolhemos dois livros e um filme que nos dão a ver três faces da maternidade. Três operadores – amor, desejo e gozo – orientam-nos em nossas leituras.

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Hans Bellmer e a invenção da boneca: o empuxo-à-mulher e a construção de um corpo fora

O artigo trabalha a definição lacaniana de empuxo-à-mulher na psicose e sua relação com o corpo e com o gozo. Partimos da obra do artista Hans Bellmer, que, segundo nossa hipótese, inventa A boneca como solução à dissolução imaginária do corpo e à vivência de um gozo deslocalizado. Revisando conceitos caros a esta construção, entendemos que tal invento leva o sujeito a localizar o gozo não regulado pelo falo em um objeto fora, à maneira paranoica. Desta forma, Hans Bellmer, com seu savoir-y-faire, inventa um corpo fora do corpo que dá forma ao corpo despedaçado e, ao mesmo tempo, usa o empuxo-à-mulher, efeito da não inscrição da metáfora paterna, para consumar sua solução.

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Hans Bellmer e sua pequena anatomia da imagem: corpo próprio e psicanálise

Em Petite Anatomie de l’image (1949), o artista Hans Bellmer formula uma teoria da imagem do corpo que parte da premissa de que a anatomia humana é subjetiva, imaginária e até permeada por estados psicopatológicos. Assim, Bellmer mostra um corpo interno desenhado por traços de memória e por uma imagem puramente psíquica, ou seja, ele coloca em cena o corpo pulsional. Diante dessa obra, perguntamos o que o artista ensina à psicanálise lacaniana sobre o corpo próprio e sua representação, conceitos importantes para a clínica. Nesse sentido, uma indicação valiosa orientará esta discussão: o segredo da imagem é a castração.

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Maternidade e foraclusão: A equação filho-kakon

A maternidade está articulada à relação da mulher com a falta; contudo, a falta nem sempre está articulada ao falo, à castração. Que lugar a criança ocupa, qual o lugar para a maternidade, quando não há recurso à significação fálica? Um caso clínico nos permite interrogar qual o lugar do filho quando a significação fálica não é operante e a gravidez revela a foraclusão. Uma passagem ao ato durante a gestação evidencia como o bebê pode se converter em “kakon”, objeto mau a ser eliminado. A angústia experimentada, neste caso, não é a angústia-sinal do neurótico, que enquadra a fantasia construída em resposta ao desejo do Outro. É uma angústia enorme, a céu aberto. Para o psicótico, não é possível responder ao desejo do Outro pela fantasia. Se, na neurose, o objeto a, extraído da castração, pode funcionar como uma resposta ao Outro, na psicose o sujeito se vê identificado a esse objeto. Ele encarna o objeto e a angústia fica sem contenção alguma. O bebê é o próprio objeto estranho, inimigo interior a ser eliminado, o verdadeiro “kakon”.

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Excessos, violência e expressões de ódio em tempos da ausência do outro

As atuais expressões de ódio que circulam pelo mundo, em termos de racismo, preconceitos e injúrias, caracterizam a violência que surge na cena social como resultado do declínio do simbólico e a emergência do gozo, que evocam um Outro impreciso, cujo discurso totalitário visa à negação da alteridade, da diferença dos modos de gozar, revelando o mal-estar e a agressividade constituintes do humano. Este artigo pretende compreender, com base no ensino da psicanálise de orientação lacaniana, o que fundamenta esse fenômeno atual bem como os efeitos da violência presente nas expressões de ódio sobre o laço social. Assim, compreendemos que a violência é uma resposta ao Outro contemporâneo, constituído como sem falta e, portanto, ocasionando a aproximação do sujeito ao campo de um gozo ilimitado, sem lei, cujo efeito lhe parece dissociar de qualquer responsabilidade no laço social.

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Declinações da (s) Violência(s) na minissérie Maid

A violência contra a mulher, a partir da ótica da psicanálise, deve ser abordada como violência endereçada ao feminino, conceito lacaniano que não se esgota na anatomia nem na dicotomia homem/ mulher, mas que diz respeito a diferentes modos de gozo. Embora muitos avanços tenham sido realizados nos campos social e jurídico, o enfrentamento da violência ainda é uma questão que demonstra a fragilidade e a necessidade de políticas e direitos para as mulheres. Valendo-nos da minissérie Maid, apostamos na articulação entre os recursos de imagem e de discurso, ali empreendidos, para abordarmos pontos específicos condizentes à problemática, extraindo consequências para teoria e clínica. Assim, buscamos nos interrogar sobre possíveis estratégias subjetivas no enfrentamento da violência doméstica.

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Cinco notas sobre o feminicídio a partir da psicanálise

Neste artigo, trabalhamos a questão do feminicídio dentro da perspectiva da psicanálise. Entendendo que, nesta abordagem, este tipo de violência não se pauta na diferença sexual, já que é entendido como um crime endereçado ao feminino, conceito lacaniano que não se esgota na dicotomia homem/mulher. Em cinco notas, abordamos o problema do horror ao gozo feminino na teoria psicanalítica e nas invenções dos sujeitos – homens e mulheres – para lidar com o héteros, soluções da catástrofe à arte.

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A pesquisa-intervenção psicanalítica com adolescentes: o que elas nos dizem sobre gravidez e maternidade a partir da conversação

Buscamos interrogar, pela discussão de alguns casos, o sentido, na atualidade, da gravidez na adolescência. Se as adolescentes, hoje, podem viver uma certa liberdade sexual sem engravidar, por que ainda a gravidez, nesse período da vida, continua acontecendo e é considerada um problema pela sociedade e pelas políticas públicas em todo o mundo? E, principalmente, por que as adolescentes engravidam? Essa questão é abordada pela perspectiva da psicanálise. A prática da conversação, metodologia adotada por nós, mantém o objetivo psicanalítico de escutar o inconsciente e unir o tratamento à pesquisa e, desse modo, permite-nos examinar o sentido e a função da gravidez com base na singularidade e na palavra de cada um, e interrogar nossa hipótese: se a gravidez na adolescência poderia ser, em alguns casos, uma resposta ao ser mulher e um endereçamento ao Outro.

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