Carla de Abreu Machado Derzi

A impossibilidade do amor no filme “Uma relação pornográfica”

A estrutura do cinema aproxima-nos da estrutura do quadro na janela, na fantasia. Este artigo propõe recolher os efeitos das possíveis interseções entre o cinema e a psicanálise a partir do filme “Uma relação pornográfica”, de Frédéric Fonteyne. Retomamos a ideia de que o quadro é construído a partir do buraco na janela para destacar que no cinema e na psicanálise está em jogo o campo do Outro. A aproximação dos dois campos em torno desse ponto, a fantasia, será nosso objeto de estudo. O enredo evidencia que a parceria do casal é fantasmática, repousando na impossibilidade de se construir um amor. Veremos, ao longo do filme, a demonstração de que “Só o amor permite ao gozo condescender ao desejo” (Lacan, 1962-1963/2005, p. 209). O filme ainda esclarece que o sujeito tem como parceiro no Outro, essencialmente, o objeto a.

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As manifestações do ato e sua singularidade em suas relações com o feminino

Pretende-se discutir as possíveis relações entre o ato e o feminino, já que ambos apontam para a manifestação no real daquilo que escapa ao simbólico. Abordam-se as diversas modalidades do ato: passagem ao ato e acting out, saídas encontradas pelos sujeitos diante do mal-estar vivenciado por cada um, assim como a definição lacaniana do ato como uma transgressão de um limite simbólico, para se colocar a questão das relações entre ato e feminino.

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A mãe de Hans ou a versão edipiana da mãe

Buscamos, neste artigo, interrogar a relação da mãe com sua criança a partir da equivalência filho=falo. Neste sentido, são as consequências clínicas da sexualidade feminina para todo sujeito que estão colocadas. É determinante para cada sujeito a relação da mulher que é sua mãe com a falta. Investigaremos, a partir do caso Hans, a relação da mãe com sua criança quando ela se situa no lugar do falo imaginário e quais consequências podemos vislumbrar. Hans fornece um paradigma da versão edipiana da mãe não apenas através da identificação da criança como falo imaginário que responde ao desejo da mãe, mas também a partir do encontro com a castração materna, na medida em que a posição de sua mãe na sexuação, ou seja, enquanto mulher em relação ao seu pai, não se evidencia. Torna-se fundamental recolher esses efeitos no caso para destacar o desafio estrutural a ser enfrentado pela criança.

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A atemporalidade das estruturas psíquicas e o inclassificável

Este artigo visa discutir o diagnóstico estrutural no campo psicanalítico, levando em consideração o termo “inclassificáveis”, que surge nos dias atuais. O trabalho aproxima a estrutura psíquica da estrutura de linguagem para evidenciar as diferenças entre elas. Essas diferenças, juntamente com a clínica da atualidade que corrobora para manifestar o real da estrutura, possibilitam incluir nas classificações o inclassificável. Sendo assim, pensar o diagnóstico estrutural é tentar manter a porta de abertura para a contingência radical do real.

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